De Peito Aberto!!!

peito abertoAbri meu peito…

E de lá sairam coisas que eu nem lembrava que existiam…

Vi sair de mim coisas preciosas há muito guardadas…

Coisas que resitiram ao tempo, à distância, às inconstâncias da vida…

Primeiro sairam velhas amizades

Daquelas que se jugavam perdidas, esquecidas

Que  bricamvam na rua de casa

Que sentavam na  mesma mesinha da escola

Que dividam o paraiso

Depois descobri os cantinhos…

Os cantinhos secretos que amamos por só existirem pra gente…

Aquela árvore, aquele quarto, aquela duna na praia distante…

Encontrei também momentos preciosos…

Aquele beijo, aquele cheiro, aquele abraço, aquele sonho…

As estrelas na noite de lua…

A lua cheia…

Encontrei amores, amados, amantes…

Me derramei, me debulhei, me desmanchei

Chorei por tudo. Chorei por nada. Chorei até por absurdos.

Quando abri meu peito  me vi fraca e forte

Tive vontade de me esconder do mundo ao memos tempo que gritei minha existência

Amei, odiei e me apaixonei

Me perdi nas ilusões e me achei nas emoções…

Me infantilizei e amadureci…

E vi que é melhor encarar a vida de peito abreto!

Djuli Themistocles

lua no peito

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Desejo de ser d’água…

copo d'água

Daria meu reino por um copo d’água

Mas não um copo d’água comum…

Tinha que ser um copo d’água que tivesse o poder de matar minha sede

Sede de justiça, Sede de viver, Sede de amor, Sede de poder…

Poder brincar, Poder crescer, Poder me divertir, Poder amar, Poder ser feliz.

Eu quero poder colocar dentro desse copo uma água pura

Água cheia de vida, água da fonte da juventude.

Quero poder nadar nessa água, bebe-la sem medo de me envenenar.

Quero viver nessa água como a Pequena Sereia dos meus contos de infância…

E não quero criar pernas nunca, pra não sofrer em terra firme.

Quero transformar esse copo d’água nas minhas Vinte Mil Léguas Submarinas… 

Com aventuras amenas, bem mais trânquilas.

Quero poder brincar de procurar o Nemo…

Mudar seu nome e transformalo num Monet.

Quero olhar as paisagens em volta dessa água e vê-las lindas, como num quadro.

Quero viver as tormentas dessa água sabendo que sempre vem a calmaria, mais cedo ou mais tarde…

E depois de um dia, quero descançar nessa água sob o reflexo de uma lua linda!

Djuli Themistocles

lua e mar

Lembrar-se…

Lembrar…

Lembrar do que quero esquecer…

Lembrar porque não se pode mais viver…

Não queria ter lembranças…

Queria viver, e não precisar lembrar…

Só se lembra do que não volta mais…

Queria viver, e não precisar lembrar…

Queria olhar para trás e ver o presente…

Sentir que nada ficou para trás…

Mas só não tem lembranças quem nunca viveu!

Então deixo minhas lembranças guardadas…

Trago-as de volta por um segundo…

Depois devolvo-as

E fico apenas com o doce sabor que elas me trazem…

Tentando fazer com que seja doce, também, o viver!

Djuli Themistocles

 passado